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Os efeitos dos perfis ministeriais na governação democrática
Quem Governa Portugal?
Abstract
Os regimes democráticos contemporâneos têm enfrentado uma crise de legitimidade que compromete a credibilidade dos intervenientes políticos. Em particular, os órgãos governativos, em virtude da sua importância na execução de propostas políticas, têm sido alvo de um escrutínio público mais intenso pelo eleitorado. Tal fenómeno, embora transversal, tem efeitos significativos na política portuguesa e, mais concretamente, na ação dos governos nacionais, moldando a composição dos lugares ministeriais. Por isso, de forma paralela à crise de legitimidade, os ministros «independentes» e/ou «tecnocratas» têm assumido, crescentemente, o papel de protagonistas na governação, emergindo, em certa medida, como solução para a desconfiança sobre a atividade política e para a perceção de incompetência dos executivos na promoção do bem público. Daqui decorre uma questão: será que a governação num paradigma democrático, tida como fonte de legitimidade, é moldada pelas características dos ministros — nomeadamente pela sua experiência política e pelas suas competências técnicas?